O risco de incumprimento na Bélgica

Setores como aço, automóvel, bens de consumo duradouro, construção, maquinaria e engenharia, metalurgia, serviços e têxtil apresentam um alto risco de incumprimento.

Aço – Degradação do risco de baixo para elevado

As encomendas e a produção veem-se afetados pela recessão económica e os fabricantes e comerciantes de aço sofrem os efeitos da deterioração da procura dos seus principais setores compradores. Prevê-se que o valor acrescentado do ferro e do aço diminua 17% em 2020, após uma diminuição de 9% em 2019.

 

Agricultura - Risco médio

O setor foi afetado pelas consequências do confinamento em questões relacionadas com o transporte, a cadeia de fornecimento e a falta de trabalhadores estrangeiros sazonais. Embora se preveja que o valor acrescentado da agricultura contraia em 2020, continua a existir a possibilidade de uma rápida recuperação apesar das condições adversas dos preços e do clima.

 

Alimentação - Risco médio

No segmento de venda de alimentos a retalho, a expansão das grandes cadeias de supermercados holandeses em 2019 aumentou a concorrência e colocou maior pressão sobre os preços, com repercussões nas margens de lucro dos retalhistas belgas e dos produtores e transformadores de alimentos. A pressão sobre os preços e sobre as margens sente-se em todos os subsetores. Todos os subsetores são afetados pelo surto de Covid-19 e pelo posterior confinamento. As vendas continuam em curso, mas com um menor nível de atividade e alguns encerramentos de canais de distribuição.

 

Automóvel e transporte – Degradação do risco de elevado para muito elevado  

O setor automobilístico sofre uma deterioração nas vendas de automóveis de passageiros e comerciais. O setor é afetado pela diminuição do tráfego e da procura logística devido ao confinamento relacionado com o coronavírus. Devido às graves tensões de liquidez das empresas, são esperados mais atrasos nos pagamentos e um maior nível de insolvências. Prevê-se que o valor acrescentado do setor automóvel e de transporte em 2020 diminua mais de 6% e 11%, respetivamente.

 

Bens de consumo duradouro - Degradação do risco de elevado para muito elevado

Desde 2018 que reforçámos a nossa posição de subscrição para pequenos retalhistas em todos os subsetores, dado que enfrentam dificuldades crescentes em competir com o poder de mercado de grandes operadores, capazes de oferecer uma gama altamente diversificada de produtos a preços mais baixos. A forte concorrência e o crescente comércio eletrónico pressionam os preços e os serviços. O consumo privado de bens de consumo não alimentar está a deteriorar-se devido ao impacto do coronavírus, com muitas empresas a fechar temporariamente devido ao confinamento. O sentimento moderado do consumidor e o aumento do desemprego podem impedir uma recuperação a curto prazo. Prevê-se que o valor acrescentado do retalho sofra uma contração de mais de 10% em 2020 e que as insolvências aumentem acentuadamente, em especial entre os pequenos retalhistas do setor não alimentar, empresas relacionadas com mobiliário, bem como grossistas e retalhistas de artigos de lazer e de eletrodomésticos.

 

Construção e materiais de construção – Risco elevado

O setor da construção belga permanece altamente fragmentado e a consolidação do mercado está em andamento. Em 2019, o setor da construção apresentou um bom desempenho em termos de volume, e seu valor acrescentado aumentou 4%. No entanto, o setor já sofria de margens muito baixas devido à elevada concorrência, principalmente nos negócios de licitação pública, e o poder de negociação dos subempreiteiros e fornecedores de menor dimensão diminuiu. Altos custos de mão-de-obra, acesso restrito a empréstimos bancários, prazos longos de pagamento e insolvências crescentes foram questões anteriores à pandemia de coronavírus. Durante o confinamento, as atividades de construção e os materiais de construção diminuíram para um nível inferior a 30%, com atrasos na maioria dos projetos, embora a atividade de infraestrutura tenha continuado. Em 2020, o desempenho será afetado pela atual recessão económica, com mais pressão nas margens, interrupções na cadeia de fornecimentos e diminuição da eficiência devido a questões como distanciamento social durante as obras. Prevê-se que o valor acrescentado da construção contraia mais de 4% em 2020 e que as insolvências aumentem ainda mais.

 

Eletrónica e TIC – Degradação do risco de baixo para médio

A indústria sofre o impacto da diminuição das vendas devido aos encerramentos temporários de empresas relacionados com o confinamento e às interrupções da cadeia de fornecimento e espera-se que o seu valor acrescentado diminua 5,5% em 2020, após um crescimento de 3% em 2019. O moderado sentimento dos consumidores e o aumento do desemprego podem constituir um forte obstáculo à recuperação a curto prazo.

 

Serviços financeiros - Risco baixo

O setor permanece relativamente robusto, mas pode ser afetado pela recessão económica geral. Problemas financeiros crescentes para empresas e consumidores podem levar a mais incumprimentos bancários e a condições mais restritivas na concessão de crédito. Prevê-se que o valor acrescentado do setor diminua 4% em 2020, após um forte crescimento em 2018 e 2019.

 

Maquinaria e engenharia – Deterioração do risco de médio para elevado

As perspetivas de negócio deterioraram-se já que as encomendas e a produção diminuíram devido ao adiar de investimentos. A procura nacional e internacional dos setores compradores chave como o automóvel e o aeronáutico deteriorou-se. Espera-se que o valor acrescentado da engenharia contraia 6% em 2020.

 

Metalurgia – Degradação do risco de médio para elevado 

Os pedidos e a produção viram-se afetados negativamente pelo colapso da economia belga. A procura por parte dos principais setores compradores, como a construção, o setor automóvel e as máquinas, caiu, enquanto produtores e comerciantes de metais também sofreram interrupções na cadeia de fornecimentos. Prevê-se que o valor acrescentado da fabricação de metal diminua 9% em 2020, depois de já ter diminuído 4% em 2019.

 

Papel - Risco médio

Os produtores de papel veem-se afetados pela diminuição da procura resultante das medidas de confinamento e continuam a enfrentar a pressão da digitalização. Prevê-se que o valor acrescentado do setor diminua 1,5% em 2020.

 

Químico e farmacêutico – Degradação do risco de muito baixo para baixo

A deterioração da procura doméstica e global tem um impacto negativo no desempenho do setor e o valor acrescentado dos produtos químicos deverá diminuir mais de 8% em 2020. As empresas são afetadas pela diminuição de pedidos e pelo impacto negativo de problemas logísticos resultantes das medidas de contenção. Entre os subsetores, o petroquímico é o mais afetado. No entanto, a indústria química belga teve um bom desempenho nos últimos dois anos, com finanças comerciais geralmente fortes, bons registos de pagamentos e baixas taxas de insolvência em comparação com outras indústrias. O mesmo vale para as empresas farmacêuticas, que irão beneficiar do aumento das despesas com saúde.

 

Serviços – Deterioração do risco de elevado para muito elevado

Devido às amplas medidas de confinamento face ao coronavírus, espera-se que o surto afete gravemente muitos segmentos, em especial os hotéis e restaurantes, bares, espetáculos, eventos culturais, agências de viagem e operadores turísticos. Espera-se que o valor acrescentado dos serviços diminua 6,5% e que o segmento de hotelaria contraia 24% em 2020. Nos próximos meses é esperado um forte aumento dos incumprimentos e das insolvências.

 

Têxtil – Degradação do risco de elevado para muito elevado

Os fabricantes, grossistas e retalhistas já sentiam dificuldades antes do surto de coronavírus resultantes de uma concorrência feroz, margens diminutas, redução das vendas, alterações no comportamento dos consumidores e uma maior concorrência por parte de novos retalhistas online.  O desempenho deteriorou-se devido à diminuição das vendas durante o confinamento. Prevê-se que o valor acrescentado dos têxteis sofra uma redução de quase 8% em 2020 e que os atrasos nos pagamentos e nas insolvências aumentem acentuadamente.   

Crédito y Caución 14 de Julho de 2020