As exportações da Tailândia sofrem contração superior a 16%

Os setores de eletrónica e automóvel foram gravemente afetados pelas interrupções na cadeia de fornecimento e pela deterioração da procura externa.

A pandemia mundial de coronavírus está a provocar uma grave contração da atividade económica na Tailândia. A Crédito y Caución prevê que o PIB do país sofra uma redução de 5,7% este ano. As exportações, afetadas especialmente nos setores da eletrónica e automóvel devido às interrupções nas cadeias de fornecimento e à deterioração da procura externa, vão ter uma contração acentuada superior a 16%. É esperado que o valor acrescentado destes dois setores tenha uma redução superior a 12% e que a produção industrial no seu conjunto caia mais de 10%. 

A economia de Tailândia mostrou sinais de debilidade em 2019, quando o crescimento do PIB se reduziu a 2,4%. Embora o consumo das famílias se tenha mantido robusto, o crescimento do investimento fixo desacelerou e tanto a produção industrial como as exportações contraíram 3,8% e 2,6%, respetivamente, devido à evolução do comércio mundial, às tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China e à força da moeda local, o baht.  

As medidas da Administração tailandesa para conter o surto e a paralisação do turismo continuam a afetar a procura interna. Prevê-se que o consumo privado sofra uma redução de 2,6%, já que o desemprego está a aumentar e o elevado nível de dívida das famílias impede despesas adicionais. O impacto do coronavírus sente-se particularmente no setor turístico, o que penaliza o desempenho do setor de serviços. O turismo gera mais de 10% do PIB da Tailândia, com os visitantes chineses a representar perto de 25% da faturação. 

Com o objetivo de apoiar a economia, o Banco Central reduziu a sua taxa de juros progressivamente até 0,5%, oferecendo, além disso, facilidades de crédito especiais e apoio aos mercados de títulos. A Administração lançou vários pacotes de estímulo equivalentes a 10% do PIB, que incluem deduções fiscais para as empresas e transferências de rendimentos para as famílias. Os estímulos também tiveram como objetivo estabilizar o setor financeiro e prestar assistência financeira às PME. Prevê-se que a dívida pública suba até 43% do PIB, nove pontos mais que em 2019, mas é financiada na sua maior parte com fundos nacionais.  

Supondo que a pandemia de coronavírus possa ser contida em 2020 e que a economia mundial comece a recuperar, a economia da Tailândia registará um crescimento superior a 7% em 2021. Contudo, diversos riscos ameaçam o seu desempenho a médio e longo prazo. Os resultados económicos da Tailândia foram dececionantes na última década. De 2009 a 2019, a taxa de crescimento anual foi de 3,6%, muito abaixo de mercados vizinhos como a Malásia (5,3%) ou o Vietname (6,5%). A elevada dívida das famílias tailandesas, que ultrapassa os 75% do PIB, constitui um risco crescente para a economia, cuja competitividade regional diminuiu devido ao elevado nível salarial. Ao mesmo tempo, prevê-se que a proporção da população em idade de trabalhar diminua de 65% em 2020 para 56% em 2040, o que constituirá um importante travão ao crescimento económico a longo prazo.

Crédito y Caución 25 de Setembro de 2020