A dívida externa constitui uma das principais debilidades da Hungria

Uma forte desvalorização do florim prejudicaria muitas famílias e empresas, já que grande parte dos seus empréstimos estão denominados em moeda estrangeira.

A Crédito y Caución prevê que a economia húngara sofra uma contração superior a 6% em 2020. A economia foi afetada pelas medidas de confinamento, pelo encerramento de negócios não essenciais e pela deterioração da afluência de turistas. Além disso, tanto as exportações como os investimentos sofreram um retrocesso significativo de 10% e 11%, respetivamente. Para 2021, a seguradora de crédito espera uma recuperação de cerca de 4%, ligada a um aumento das exportações e do consumo privado. Contudo, esta previsão está sujeita a riscos vinculados à duração e impacto da segunda vaga, tanto na Hungria como no resto da Europa.
 
Para apoiar a economia, o Governo húngaro lançou um conjunto de medidas de estímulo fiscal equivalentes a 20% do PIB. Estas medidas passam por um aumento das despesas com a saúde pública, pelo desagravamento fiscal para as empresas, apoios salariais, novos projetos de investimento, apoios diretos aos setores mais afetados, garantias do estado e empréstimos subvencionados. Espera-se que o défice orçamental alcance os 8% em 2020 devido a estas medidas e que a política fiscal se mantenha expansionista em 2021, centrada no apoio ao seu tecido empresarial, pelo que a dívida pública subirá até aos 80% do PIB. A proporção da dívida pública em moeda estrangeira e nas mãos de não residentes diminuiu para menos de 40%, mas a sua sustentabilidade poderia sofrer diversas perturbações.
 
A elevada dívida externa, que aumentará até aos 100% do PIB em 2021, constitui uma das principais debilidades da Hungria. Uma forte desvalorização do florim prejudicaria muitas famílias e empresas, já que uma grande parte dos seus empréstimos estão denominados em moeda estrangeira. Devido aos elevados níveis de dívida externa e pública e a um quadro institucional e legislativo que não é ótimo, o florim é vulnerável ao sentimento dos investidores internacionais. Contudo, o forte crescimento do PIB nos próximos anos deveria continuar a apoiar a taxa de câmbio.
 
A recessão está a afetar setores importantes da economia como o setor automóvel, a construção, os metais e o aço, o comércio retalhista e os serviços. No primeiro semestre, os fornecedores do setor automóvel sofreram uma deterioração da procura alemã e enfrentaram um aumento dos problemas de liquidez. A construção conta com um certo apoio por parte da licitação pública, mas a sua carteira de encomendas está a ser afetada pela queda da economia. As margens são muito curtas neste setor, o que aumenta o risco de crédito especialmente entre os operadores de menor dimensão. A deterioração da procura nos setores automóvel e da construção teve um impacto negativo também junto dos produtores e grossistas do setor metalúrgico e do aço. Os setores retalhistas não alimentares, os hotéis e a restauração sofreram com as medidas de confinamento e com a deterioração do sentimento dos consumidores. 
 
O Governo húngaro atual, que conta com uma folgada maioria parlamentar, adotou medidas nos dois últimos anos que deram lugar a animosidades com a Comissão e com os países membros da União Europeia. Em novembro, o Conselho e o Parlamento Europeu acordaram no estabelecimento de um novo mecanismo que permite reduzir o financiamento europeu com base em preocupações com o estado de direito nos países membros. A Hungria, juntamente com outros países da Europa de Leste, rejeita este mecanismo e poderia bloquear a ratificação do novo fundo de recuperação europeia caso o mecanismo em questão não seja do seu agrado.  

Crédito y Caución 24 de Novembro de 2020