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Crédito malparado desce com "limpeza de carteira"

O crédito malparado desceu em todos os segmentos, em Dezembro. Um movimento habitual no final de cada trimestre, altura em que os bancos vendem carteiras de crédito de forma a reduzir o incumprimento nos seus balanços.

O crédito malparado diminuiu em todos os segmentos de financiamento, de acordo com os dados preliminares hoje publicados pelo Banco de Portugal. No total, os bancos têm actualmente em carteira 11,5 mil milhões de euros de incobráveis.

Deste valor, 4,6 mil milhões de euros de malparado são referentes a empréstimos a famílias, o que representa 3,27% do total do financiamento concedido. Os restantes 6,9 mil milhões são da responsabilidade das empresas, o que corresponde a 6,09% dos créditos.

A percentagem de crédito malparado no crédito à habitação, em função do concedido com este fim, situou-se, em Dezembro, nos 1,86%. Caiu face ao mês anterior, sendo esta a primeira vez que isto acontece nos últimos nove meses.

No segmento do crédito ao consumo, o malparado desceu para 9,16% do total dos empréstimos concedidos. No segmento de outros fins, os incobráveis correspondem a 9,35%, menos dos que os 9,77% registados no mês anterior. Esta é a primeira vez num ano que a taxa de malparado desce neste segmento. Em Dezembro de 2010, a taxa de incobráveis no crédito para outros fins estava nos 6,76%.

O crédito malparado tem vindo a aumentar progressivamente, a reflectir a situação económica que se vive em Portugal, com as famílias a terem menores rendimentos e a taxa de desemprego a aumentar para níveis históricos.

Nas empresas a situação é igualmente preocupante, com muitas a não conseguirem ter dinheiro para fazer face às suas despesas e muitas a falirem.

Este cenário tem levado a aumentos progressivos no crédito malparado. Uma evolução que, regra geral só é interrompida quando ocorre um final de trimestre, período no qual as instituições tendem em vender carteiras de crédito, com o objectivo de diminuir o impacto negativo destes activos nos seus resultados.

Jornal de Negócios 07/02/2012